quarta-feira, 24 de março de 2010

Passos é o melhor candidato do PSD a primeiro-ministro

Sondagem da Marktest a todos os portugueses aponta o ex-líder do JSD como o mais capaz para suceder a Sócrates.

Se fossem os portugueses a escolher entre os principais candidatos a líder do PSD o que tem mais capacidade para ser assumir o cargo de primeiro-ministro Passos Coelho seria o escolhido. Com uma confortável vantagem de 12 pontos percentuais face a Paulo Rangel, o único que se aproxima do ex-líder da JSD dado que José Pedro Aguiar-Branco se fica pelos 6%. Aos olhos do eleitorado a disputa pelo lugar de Ferreira Leite está mesmo bipolarizada.

De acordo com o barómetro da Marktest para o Diário Económico e TSF, 35% portugueses dizem que Passos Coelho é o mais capaz para suceder a José Sócrates, enquanto Paulo Rangel arrecada 23% de opiniões favoráveis. Ainda assim, um número substancial de inquiridos (16%) assume que "nenhum" dos três principais candidatos é capaz de fazer o PSD regressar ao poder, enquanto 20% opta pelo não sabe ou não responde.

O politólogo António Costa Pinto acredita que esta concentração de votos em Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho se deve "ao facto de uma parte das respostas estar a ser condicionada pela percepção pública de quem tem mais possibilidade de ganhar" as eleições directas de sexta-feira no PSD e menos "pelo perfil de cada um dos candidatos para o cargo de primeiro-ministro".

Quanto ao fraco desempenho de Aguiar-Branco nesta sondagem o politólogo aponta para uma "questão de notoriedade: chegou há pouco tempo à liderança do grupo parlamentar e não tem a projecção que Paulo Rangel ganhou com a vitória nas últimas eleições europeias ou que Pedro Passos Coelho foi acumulando nos últimos dois anos", quando se começou a preparar a recandidatura.

A sondagem da Marktest foi realizada entre os dias 16 e 21 de Março, já depois do último congresso do PSD e da aprovação da polémica lei da rolha que limita a crítica interna e após a apresentação pública das moções estratégicas que sustentam cada uma das candidaturas. O trabalho de campo da Marktest foi realizado antes do último debate televisivo que juntou, na RTP, os quatro candidatos (Castanheira Barros incluído).

O eleitorado PS mostra maior afinidade pelas capacidades políticas de Passos Coelho do que o próprio eleitorado do PSD: 47% dos inquiridos que dizem votar PS apontam para o ex-líder do JSD como o mais capaz para ser primeiro-ministro , enquanto entre os social-democratas esse valor se fica pelos 42%.

Para o professor da Universidade do Minho, João Cardoso Rosas, esta tendência tem uma justificação de origem ideológica: "Passos Coelho é uma figura mais simpática e liberal nos costumes enquanto Paulo Rangel é mais conservador e transmite a ideia de que está mais à direita". Daí que, conclui o politólogo, "seja normal que haja entre os socialistas uma maior simpatia" por Passos Coelho do que pelo eurodeputado. Já Costa Pinto aponta para outra explicação: "O eleitorado do PS, apesar de tudo, vê Passos Coelho como tendo uma imagem de moderação e de menor radicalização do que Rangel". Aguiar-Branco, que resitiu a todas as pressões para que desistisse, tanto entre socialistas como entre social-democratas, mantém um fraco desempenho: não vai além dos sete pontos percentuais.

Apesar de ser este o retrato que o país tira dos candidatos a líder da oposição, na sexta-feira não são os portugueses que o elegem mas, apenas, os 78 mil 939 militantes do PSD com as quotas regularizadas.

A sondagem efectuada pela Marktest para Diário Económico e TSF realizou-se de 16 a 21 de Março, com o objectivo de analisar a capacidade dos principais candidatos a líder do PSD para desempenhar o cargo de primeiro-ministro.

O universo desta sondagem é a população de Portugal Continental com mais de 18 anos e que habite em residências com telefone fixo. A amostra, constituída por um total de 808 inquiridos, foi estratificada por regiões: 160 entrevistas na Grande Lisboa, 92 entrevistas no Grande Porto, 132 entrevistas no Litoral Centro, 153 entrevistas no Litoral Norte, 179 entrevistas no Interior Norte e 92 entrevistas no Sul do país, sendo 382 das entrevistas a mulheres e 426 a homens. 255 entrevistas são a indivíduos dos 18 aos 34 anos, 273 dos 35 aos 54 anos e as restantes 280 a pessoas com mais de 54 anos.

A escolha dos lares contactados foi efectuada aleatoriamente, a partir da base de telefones residenciais disponíveis em Portugal Continental. O intervalo de confiança desta sondagem é de 95%, e a margem de erro de 3,45%. 40,6% responderam não sabe/não responde à questão da intenção de voto. in economico.pt

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