O candidato à liderança do Partido Social Democrata Pedro Passos Coelho considera que as linhas gerais do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), ontem apresentadas pelo Governo, são "um pouco contraditórias".
"Creio que o senhor primeiro-ministro afirmou que o caminho seria o da redução da despesa mas, na prática, aquilo que foi anunciado pelo Governo é que a carga fiscal vai aumentar porque as famílias portuguesas vão poder deduzir menos despesas de educação e de saúde quando entregarem o seu IRS", afirmou Passos Coelho que falava à margem da Assembleia Distrital do PSD-Porto, que está a decorrer esta noite na fundação Cupertino de Miranda.
Depois de ter recebido, em audiência em São Bento, as forças políticas com representação parlamentar para conversações sobre o PEC, o primeiro-ministro afirmou que a redução dos benefícios fiscais para os contribuintes com maiores rendimentos estava já prevista nos programas de Governo e do PS e não significam aumento de impostos.
"Quem ler o programa eleitoral do PS ou o programa do Governo, sabe que está bem expresso que nós iríamos agir na redução dos benefícios fiscais, em particular para os rendimentos mais elevados", sustentou José Sócrates.
Passos Coelho revelou-se ainda preocupado com a inexistência de "uma abertura do Governo para reavaliar os grandes projectos de investimentos", referindo-se às subconcessões rodoviárias.
"Se tivéssemos de reduzir a despesa, sem contar com o aumento de imposto para ter três por cento de défice daqui a três anos, precisaríamos de cortar cerca oito mil milhões de euros na despesa pública e o primeiro-ministro insiste em manter quase 20 mil milhões sobretudo ao nível das subconcessões rodoviárias, que é o que elas nos vão custar nos próximos 30 anos. Não me parece que seja razoável", disse Passos Coelho, saudando a opção do Governo de adiar por dois anos as ligações de alta velocidade Porto/Vigo e Lisboa/Porto.
O primeiro-ministro afirmou ontem que o adiamento de algumas despesas de investimento previstas no PEC, nomeadamente o adiamento por dois anos da construção daquelas duas linhas ferroviárias de alta velocidade, projectos contestados sobretudo pelo PSD, pretende procurar uma aproximação de posições com algumas forças da oposição.
"Tomamos a decisão de adiar por dois anos as ligações ferroviárias de alta velocidade entre Lisboa e Porto, e Porto e Vigo. Fazemos isto porque a ligação entre Porto e Vigo está condicionada por decisões do lado de Espanha, mas também para que a ligação entre Lisboa e Porto não tenha impacto financeiro nos exercícios orçamentais até 2013", disse José Sócrates, em conferência de imprensa, em São Bento. in dn
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